
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Vestígios

“Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade.” (Caio Fernando Abreu)
Sentada sozinha na mesa, de costas para as pessoas que estavam na festa, ela tentava se manter reservada. Pensava na vida, em acontecimentos anteriores e em alguns bem recentes. Quando se levantou para ir ao banheiro, analisou o ambiente, um pouco receosa e, como se algo buscasse seu olhar para um lugar iluminado, ela enxergou. Mais do que depressa ela continuou caminhando, mas, na hora de voltar para a mesa, a tensão havia dobrado. Ela jamais imaginou que pudesse encontrá-lo na mesma festa e, a última coisa que ela queria era vê-lo ou ouvi-lo novamente.
Agora que sua visão estava mais limitada, ela só queria saber de ir embora dali o mais depressa possível. Sentou-se à mesa mais uma vez e, pegando sua bolsa, logo se despediu das pessoas ao seu redor. Ela caminhava rápido, rápido demais para alcançar seu carro que se encontrava no estacionamento. E só tinha certeza de uma coisa: ela tinha que sair dali.
Ao se aproximar do carro, já tirando as chaves da bolsa, antes mesmo que ela pudesse levantar os olhos para comprovar, seu corpo reconheceu o perfume que vinha através da brisa. Era ele. Ela não precisaria nem mesmo olhar, pois, ela sabia que ele estava ali. Quando levantou o rosto, pôde ter a certeza, ele estava em pé, ao lado de seu carro, à sua espera. Nesse mesmo momento seu corpo esfriou, o estômago embrulhou, a respiração faltou e o coração disparou. Parada ali, em frente a ele, ela pôde ter a maior certeza de toda a sua vida: ainda restavam vestígios dele dentro de si.
(Rafaela Bucci)
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010

mas as circunstâncias me modificam.
Me alteram,dependendo da forma que chegue à mim.
Não que eu seu seja intolerante,
mas tenho ponto fraco,tenho meu limite,tenho meu pudor.
Se esbarrarem nisso,explodo impiedosamente.
"Brincadeiras" comigo,tem tempo e dosagem certa.
Portanto só me ofereça aquilo que você tem de verdade.
Se não for,me deixe em meu canto.
Tenho uma mania terrível de me deixar levar,
mais também uma percepção tremenda de quem não vale apena.
Sou "adoçada" a sua maneira."
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Era uma vez uma garota que eu conhecia e que morava em frente de casa. Cabelos castanhos, olhos castanhos. Quando ela sorria, eu sorria. Quando ela chorava, eu chorava. Tudo de importante que acontecia comigo, de alguma forma, tinha a ver com ela. Naquele dia, Winnie e eu prometemos que ficaríamos juntos para sempre, não importava o que acontecesse. Foi uma promessa cheia de paixão, de sinceridade e de sabedoria. Uma promessa que só poderia ser feita por corações muito jovens”.
(Série Anos Incríveis)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Jamais Desista...

E, quando você errar o caminho, recomece.
Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário"
terça-feira, 7 de dezembro de 2010

(Rafaela Bucci)

“Aquela garota que já acertou mas também já errou muiitas vezes, aquela que já chorou por um garoto que não valia a pena, aquela que já riu quando não podia, aquela que já fez muitas loucuras e já falou muitas besteiras, aquela que tem rostinho de santinha mas não é tanto assim, apenas uma garota que vive sem medo de ser feliz!
Aquela que riu quando tinha que rir, que chorou quando tinha que chorar , que gritou quando tinha que gritar, aquela que brigou quando tinha que brigar, que amou quando tinha que amar, que cantou quando tinha que cantar, enfim, aquela que fez tudo que queria fazer sem medo do que os outros iriam pensar.
Dane-se os outros, o que importa é ser feliz!”
(One Tree Hill)
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Laços de amizades

"Simples assim, amizades não devem ser amarradas por nós, precisam ser sustentadas através de laços.
Mas laços são frágeis, podem se desfazer a qualquer momento com um simples toque ou um rápido movimento.
Ao mesmo tempo sabemos que existem laços muito bem dados, com capricho, com carinho e que se tornam tão seguros que mais parecem nós. Mas não se parecem com nós que apertam, que prendem, que são impossíveis de se desfazer.
Amizade é algo que precisa de liberdade e ao mesmo tempo de segurança e um laço bem dado
pode ser desfeito a qualquer momento, mas pode também durar uma vida toda, basta ser muito bem cuidado.
De qualquer forma não podemos esquecer que certos nós também podem ser defeitos, aliás rapidamente desfeitos, algumas pessoas são especialistas nisso.
Digo tudo isso pensando em amizades que mais se parecem com obrigação e que vão se sustentando amarradas por nós enquanto o tempo vai esvaziando-as.
Um amigo verdadeiro não nos suga, não tripudia em cima de nós, não vive a mercê apenas dos seus próprios interesses, não exige, não impede o nosso direito de ir e vir.
Mas algumas amizades arrastam-se por aí amarradas por um nó, dependentes e em nome de um passado que se bem analisado não foi assim tão verídico.
A vida passa e com o tempo conseguimos enxergar determinadas coisas que anteriormente não era possível. O ser humano tem mesmo a fraqueza de colocar vendas nos olhos quando se encanta com alguém.
Não que amigos não possam ter defeitos, mas seus defeitos não podem ser direcionados a nós com o intuito de nos contrariar e prejudicar.
Já dizia o velho ditado - o tempo mostra quem é quem e ninguém é capaz de se disfarçar a vida toda em alguém que não é.
Crie laços com as pessoas que te fazem bem, que lhe parecem verdadeiras e desfaça os nós que lhe prendem àquelas que foram significativas na sua vida mas infelizmente, por vontade própria, deixaram de ser.
Nó aperta, laço enfeita...simples assim."
(Silvana Duboc)
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O que você faria?

O que você faria se Deus tivesse traçado outro plano para sua vida, e não seguido aquilo que você sempre imaginou?
O que você faria se Ele desse para você hoje, aquilo que justamente te sangra o coração?
O que você faria se a vida te desse uma rasteira e, Deus não fizesse nada para impedir?
O que você faria se o seu pior pesadelo tivesse acontecido e, Ele simplesmente tivesse de mãos atadas para, simplesmente, nada?
O que você faria se a pessoa que você mais ama e confia, tivesse traísse você?
O que você faria se você tivesse chamado por Deus e ele simplesmente não tivesse dado ouvidos?
O que você faria?
Quem é, de verdade, o verdadeiro culpado das nossas dores?
(Rafaela Bucci)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Quando era criança...

Quando era mais nova, tinha grandes sonhos. Sonhava alto, sem limites e acreditava em muitas coisas. Acreditava que as coisas viriam fáceis na vida, que as pessoas eram todas felizes, que todos eram amigos, que a noite durava apenas uma noite, que o amor não machucava, que amigo era aquele que me mostrava um sorriso, que um irmão era aquele que sempre estaria ali pra me ouvir, que meus pais seriam eternos...
Enfim, eu acreditava na vida!
Porém, quando cresci e me deparei com a realidade dura e fria, meus sonhos de menina foram jogados ao vento. Percebi, talvez da pior maneira, que nem tudo o que eu desejava viria fácil e, às vezes, era necessário lutar mais do que o necessário para alcançar um mísero sonho. Percebi que as pessoas estão tão preocupadas com seus pequenos problemas que se esquecem de sorrir e, muitas vezes desse modo, acabam destruindo um momento na vida de alguém. Percebi que nem todo mundo é amigo e, por mais que eu queira tentar entender, existem pessoas que simplesmente não agradamos e farão de tudo para nos prejudicar. Percebi que existem pessoas invejosas e, são essas as que mais irão sorrir para mim. Percebi que uma noite fria pode durar vários dias e, só quem vive isso, sabe a dificuldade que é de fazer Sol. Percebi que o amor, por mais belo que seja também machuca às vezes, mas, nos ensina muito. Percebi que amigo é aquele que não precisa me mostrar um sorriso, porque, o que ele me dá é algo muito maior. Percebi que um irmão nem sempre é tão meu amigo quanto desejaria, mas que para compensar isso, Deus coloca amigos que são verdadeiros irmãos na nossa vida. Percebi que meus pais – infelizmente - se vão um dia e não há nada que eu possa fazer para mudar isso...
Por mais difícil que seja acreditar em mudanças, ainda sonho alto e sem limites. Continuo com a mesma esperança de quando era criança e, ainda acredito que sonhos se tornam realidade. Talvez sejam os meus que ainda não estejam maduros para florescer. Mas, um dia eles irão. Eu tenho certeza.
(Rafaela Bucci)
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Despedida de um sonho

sábado, 24 de julho de 2010
A mesma garota

domingo, 18 de julho de 2010
Siga seu coração

Eu não sei bem dizer o porquê ou como certas coisas acontecem na nossa vida. Mas eu sei reconhecer bem a dor de alguns desses acontecimentos. Reconheço de longe a tortura que eles nos causam, a falta de ar, a dor no peito, o medo...
Alguns desses passam dias, semanas ou mesmo meses sem aparecer mas, em alguma época do ano, eles sempre tornam a aparecer para uma visita. E, às vezes, nem são convidados. Porém, bem vindos ou não, nós temos que aceitá-los em nossa vida por uma temporada.
Simplesmente não existem palavras para descrever alguns desses sentimentos e, sendo assim, o que devemos fazer quando eles vêm nos visitar?
Chorar? Espernear? Gritar? Rezar?
Não existe uma resposta e, certamente, não existirá nunca. Essa resposta só quem pode dar é o seu coração querido amigo, pois, ele sempre foi e sempre será o dono da nossa razão. Siga seu coração.
(Rafaela Bucci)
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Só rezando

domingo, 4 de julho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010
Especial Dia dos Namorados (atrasado)

terça-feira, 8 de junho de 2010

“Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o lugar da minha canga. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar. Tá guardado. O da canga e de todo o resto.”
(Tati Bernardi)
domingo, 30 de maio de 2010

Tomei um banho bem demorado. Queria limpar tudo de sujo que estava em mim, se possível, até o que estava por dentro de mim. Sequei o cabelo, coloquei um pijama e deitei na cama. Olhei para o relógio, eram oito horas da noite, ainda me restavam três horas de sono até o Eric chegar da faculdade e me ligar ou aparecer em casa.
Tudo o que eu mais queria era descansar, não ver ninguém. Mas se depois de um mês sem vê-lo eu ainda negasse uma visita no dia da minha chegada, ele ficaria muito chateado e isso renderia assunto para o resto do dia, do mês ou do ano. E o que eu menos queria era uma discussão, ainda mais hoje.
Fechei os olhos, respirei bem fundo, lembrei de Medley e do elevador. Meu estômago embrulhou e eu bloqueei meus pensamentos. O sono chegou sem me dar tempo de pensar em mais nada, meus pensamentos agora vagavam em meio à escuridão, em meio à paz que eu tanto procurava e só encontrava aqui. Deixei-me levar e dormi profundamente.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Sufoco

Acordei naquela manhã com o sol batendo em meu rosto. Parecia que ele estava mesmo disposto a me perturbar. “Mais um dia”, pensei. Nada de novo estava por vir, nada de especial, nada de nada. Somente mais um dia.
Levantei com o mesmo intuito de todas as manhãs, ou seria “falta de intuito”? Arrumei-me e fui pra faculdade, o que não me gastaria mais do que dez minutos para chegar e, como sempre, passei na cafeteria para pegar meu chocolate quente. O céu estava ensolarado até demais, havia pessoas de regatas e shorts, o que era estranho para uma cidade como Medley que dificilmente fazia calor.
Mas nem mesmo essa manhã “linda”, como todos estavam falando na sala, me fez animar. As mesmas cadeiras, as mesmas pessoas, os mesmos assuntos. Será que elas não se cansavam nunca dessa monotonia? Porque eu estava cansada! Mas não conseguia me mover diante das situações. Tudo o que eu conseguia sentir e pensar se resumia em uma única palavra: sufoco!
(Rafaela Bucci)
terça-feira, 18 de maio de 2010

O tempo parou pra ela naquele momento. Quando abriu sua caixa de e-mail e leu o recado que por tanto tempo esperava e sonhava, seu mundo desmoronou. A notícia que lhe aparecera não era sem sequer parecida com a esperada.
Uma corrente fria transpassou suas costas e, inconscientemente, ela começou a chorar. Um choro de tristeza, amargura, dor e decepção. Nada mais lhe importava e, depois de tudo, ela estava se permitido afundar nesse obscuro.
Todo seu esforço e dedicação tinham sido em vão. Não havia mais recompensa nenhuma e, quanto ao seu sonho... Bom, seu sonho foi afogado junto a tantas lágrimas que escorriam. O mais doloroso é que ela sabia que agora esse sonho estava longe novamente.
Por hora, ela não conseguiria se levantar para correr atrás dele, isso estava totalmente fora do seu alcance. Por um tempo indeterminado ela não iria procurá-lo e, somente após cicatrizar sua ferida, é que ela pensaria em por onde começar a procurá-lo novamente. Enquanto isso, era só ela.
(Rafaela Bucci)
domingo, 16 de maio de 2010
Não consigo entender...

Eles estavam sentados na sala de estar, apenas folheando algumas revistas quando ela fechou bruscamente a sua e disse:
- Juro que não consigo entender!
- Não consegue entender o que? – ele disse.
- Não sei... Nos meus sonhos era tão diferente. A gente amava sem se cobrar, chorava sem doer, se beijava por tempo indeterminado, dormia e acordava feliz, ria de todas as indiferenças, brincava sem receio, brigava de mentira, não enjoava nunca, comia sem culpa, corria sem obrigação...
- Eu sei meu bem, eu sei. Mas, olha, não desanime. Os sonhos têm seu tempo certo de nascerem para a realidade. Os seus estão apenas em fase de gestação, isso não significa que eles não nascerão. Ao contrário do que você pensa, eles vão nascer. É só questão de tempo.
Ela levantou os olhos para os dele e os fitou por alguns segundos, em seguida lançou-lhe um belo sorriso. Um sorriso cheio de significados, mas, acima de tudo, o significado de algo maior. Abriu novamente sua revista e, encontrou-se aliviada e feliz. Ela havia reencontrado o que havia perdido: sua companheira esperança!
(Rafaela Bucci)
terça-feira, 11 de maio de 2010
Em busca de um sonho

E quanto mais ela queria entender os acontecimentos em sua vida, mais ela se encontrava perdida. De tempos em tempos parava para pensar em que rumo sua história estava sendo traçada. Quando isso acontecia, enxurradas de pensamentos tomavam conta de si, entrelaçados a dúvidas, remorsos, esperanças e sonhos. Principalmente sonhos.
Diferente da maioria, ela acreditava que sonhos podiam se tornar real. Mesmo aqueles mais profundos. Ela já havia se deparado com um, aquele considerado o “número um”, mas, acabou se assustando por ele estar tão perto que acabou afastando-o para bem longe. E foi nesse momento que ela sentiu a frustração e a decepção de não ter sido mais receptiva.
Porém, de nada adiantaria lágrimas e, como uma mãe em busca de seu filho, ela foi atrás desse sonho perdido. Andou por becos escuros, florestas cheias de monstros, nadou em lados profundos e, quando achou não ter mais esperanças, lá estava ele. Acuado ou talvez com medo, quem sabe?
Olhando-o agora de perto, ela sabia que não tinha o porquê temer ou se assustar. De alguma forma, eles achariam uma maneira de se entenderem ou de se completarem. Porque, de uma coisa ela tinha certeza, ele precisava dela tanto quanto ela dele.
terça-feira, 4 de maio de 2010

" Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (...) "
(Caio Fernando Abreu)
terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando ela se deitou, uma enxurrada de pensamentos vieram à sua mente, principalmente aquele que dizia respeito a ele.
Como era bom estar ali, se sentir protegida, amada, liberta e ao mesmo tempo presa. Mas não era qualquer prisão, aquela era uma muito aconchegante, deliciosa e maravilhosa! Ela estava presa a uma só pessoa e isso era mais do que uma realização. Ela não precisava de mais nada, porque isso já bastava.
O seu conto de fadas já estava escrito e, nada nem ninguém, poderia mudar uma vírgula daquela história.
domingo, 25 de abril de 2010

"E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana?
Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.
Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda."
quinta-feira, 22 de abril de 2010

Elas estavam sentadas em frente à televisão, comendo pipoca e vendo o tal filme que elas sempre viam juntas milhões de vezes. Conversavam mais do que assistiam, choravam de rir, riam de tanto chorar...
Quando o silêncio reinava, elas não hesitavam em aceitá-lo. Sabiam que não precisavam estar sempre juntas fisicamente, porque ambas já estavam juntas!
No momento em que encontrar a amizade verdadeira, haja o que houver, não existirá mais separação. É como um "Feliz para Sempre"! É assim e, sempre será.
(Rafaela Bucci)
--*--
Eu escrevi esse texto pensando em todos os amigos que tenho!
Alguns estão longe de mim hoje, não os vejo com tanta frequência mais, porém, eu sei que estamos juntos mesmo estando longe.
Outros estão muito perto e, a presença deles me anima e me ajuda muito a continuar a caminhar.
Estejam longe ou perto, quero todos sempre na minha vida!
terça-feira, 20 de abril de 2010
AOS 18

Cecília estava sentada em sua cama, relendo os diários que havia escrito durante toda a sua vida. Amores, tristezas, encontros, desilusões, amizades, recordações... Por cada ano que passava, encontrava diversos momentos existentes. Alguns dos quais nem mesmo se lembrava, mas era maravilhoso relembrar, até mesmo as dores pelas quais ela achava que tinham sido as maiores da sua vida.
Porém, algo pareceu iluminar diante de seus olhos. Uma capa no tom bege muito desgastado se destacou dentre as pequenas agendas que se encontravam jogadas em cima de sua cama. Seu coração disparou, sentia o pulsar dentro de suas veias e as lágrimas chegaram às portas de seus olhos. Ela rapidamente agarrou o diário e ficou olhando para ele pensativa e emocionada.
Vários flashes de diversos momentos pelo qual ela havia passado lhe vieram à mente. Mas não eram quaisquer momentos, eram os melhores momentos de toda a sua vida! Era o seu diário de quando ela teve 18 anos. Aquilo era melhor do que qualquer história de livro que ela poderia escrever ou ler, porque naquilo ali estava a sua vida. O começo da sua história como pessoa, como menina, como mulher.
Cuidadosamente ela abriu a capa e encontrou na primeira página uma foto sua com os amigos da faculdade. “Turma XV – Direito –
Ao seu lado estavam os seus melhores amigos, aqueles que estiveram com ela em todos os momentos especiais que se tem na vida, principalmente aos 18 anos. A primeira faculdade, o primeiro trote, a república como moradia, a carteira de motorista, a primeira DP, as festas durante a semana, a saudade de casa, o primeiro porre, a primeira viagem sozinha, a primeira entrevista, as dinâmicas dos processos seletivos, a pipoca queimada, as tardes de vídeo game regadas à cerveja, o jogo do Brasil na Copa, o primeiro estágio, o TCC, a efetivação, a formatura...
Somente por aquela foto ela sabia exatamente o que havia dentro daquele diário. Todos os momentos estavam aflorados à sua pele e à sua memória. Não poderia haver melhor sensação. Lá estavam todas as suas descobertas, todos os seus medos, todas as suas derrotas, todas as suas superações, todos os seus amores. E foi então que ela o achou! O sorriso mais encantador e charmoso que poderia haver, os olhos brilhantes como esmeralda destacados pelo sol que batia em seu rosto, o cabelo loiro jogado de lado sem uma ordenação que seja. Seu coração parou. Foi como voltar àquele momento, o do primeiro amor.
Como um filme em “replay” ela enxergou cada momento vivido ao lado desse amor, desde o primeiro olhar até a despedida. A primeira conversa, os olhares, os toques, os beijos, a química perfeita que havia entre ambos. Como era maravilhoso! A fuga nos finais de semana para a praia, os estudos de química no sábado à noite... Ele havia sido o primeiro homem em sua vida, aquele que tinha ensinado ela dirigir antes mesmo de ter carta, que a usava como garota propaganda de todas as suas histórias, aquele que tinha chegado pra ficar, ou supostamente, deveria ter chegado para ficar. Mas não ficou.
Foi aos 18 anos que Cecília encontrou o significado mais do que real da amizade, que ela encontrou e se encantou com o primeiro amor, que ela errou e aprendeu, se decepcionou e superou, entendeu o significado dos seus pais em sua vida, o valor de uma moeda, a dor de uma despedida, a alegria de um encontro... Porém, acima de tudo, foi aos 18 que ela viveu intensamente. Esse diário não poderia levá-la fisicamente de volta no tempo, mas, poderia entregá-la magicamente toda uma vida que ela não escreveria diferente se tivesse oportunidade.
(Rafaela Bucci)
Texto escrito para o tema da 27ª Edição do Blogueando.