segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SAUDADE

"Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói .
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do avô que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ela para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa camisa xadrez. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo Fanta, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua detestando o MC Donald's, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler..."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

NAO QUERO SER EM SUA VIDA:

"A primeira...pois é no primeiro que se consegue verificar todos os nossos erros, vendo o quanto é preciso aprender..
A ultima, pois é quem leva a responsabilidade de realizar tudo que os outros não foram capazes, ou competentes o suficiente pra sustentar um relacionamento..
A mais importante, pois geralmente as coisas mais importantes são aquelas que menos lembramos, apenas sabemos que são importantes por alguma coisa que fizemos..
A única..pois jamais seria capaz de lhe entender, em todos os sentidos, antes que enjoasse de mim, não satisfazendo seus desejos, por não ter tempo de conhecê-los...
Em sua vida, gostaria apenas de ser aquela pessoa que não fosse muito importante, não estivesse na lista dos primeiros, nem tão pouco nas dos ultimos que não fizesse você se arrepender de não ter tido outras experiências, mesmo que me tendo como alguém especial...
......entretanto, feitos da sua opressão, e sim, uma pessoa que na sua vida entrou, fez morada, e permanece para sempre em seus pensamentos. A qual faria você sentir frio mesmo sob um calor de 40 graus..
Que a noite, quando olhar para o céu veja em cada estrela que compõe as constelações, mesmo distante, o quanto estava proximo um do outro...
Que ao ler o livro da sua vida, possa encontrar-me como autor da sua felicidade, mesmo que temporária... Aquele que com um jeito irreverente buscava arrancar de forma suave e quase despercebidamente, a sinceridade que brilhava no interior de seus olhos...
Alguém do qual jamais esquecerá, não como amiga, namorada, mas a pessoa que fez com que você por algum tempo, ou quem sabe, sempre, sentisse a verdadeira importancia de um sentimento puro..simples..sincero e profundo...
Infelizmente, acredito que não consegui atingir todos meus ideais...
No entanto, espero que você tenha esse nome em um local separado dos outros... "

"Como eu disse, as coisas nunca saem exatamente como planejamos.
A gente cresce num instante.
Um dia estamos de fraldas, no outro dia vamos embora.
Mas, as recordações da infância ficam conosco por muito tempo.
Lembro de um lugar.
De uma cidade.
De uma casa, como uma porção de casas.
De um jardim, como uma porção de outros jardins.
De uma rua, como uma porção de outras ruas.
A verdade é que depois de tanto tempo, ainda me recordo: FORAM ANOS INCRÍVEIS".


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Você já parou pra pensar que tudo aquilo que você planejou uma vida inteira às vezes pode não acontecer? Que todos os planos que você tenha feito durante toda uma vida podem ir por água abaixo? E não porque tivesse algum motivo concreto, mas, porque simplesmente tudo tenha acabado!

Acabado de uma maneira que você mesma não saiba explicar. Quando você simplesmente começa a se dar conta... Tudo mudou! E você para e pensa: “Onde foi que tudo isso mudou? Como eu não enxerguei que as coisas possam ter tomado esse rumo? Em que momento eu deixei... esse amor fugir de mim?”.

Talvez muitas pessoas não entendam, mas, isso simplesmente aconteceu de uma forma que não teve como reverter. E foi assim que se procedeu a um dos momentos mais tristes e intensos de minha vida.

Eu acreditava ser eterno o amor e toda forma de “eu te amo” entre um homem e uma mulher. Assim, também, como todas as promessas e planejamentos que eu fazia deveriam ser.

Em meus românticos pensamentos, sempre imaginei que as pessoas tivessem apenas um amor em suas vidas e, não importasse o que acontecesse, isso jamais iria acabar.

Vai ver é por isso que as pessoas geralmente procuram alguém para se completar, para dar algum sentido em suas patéticas vidas que, não sei por que, não se bastam sozinhas.

Agora eu te pergunto: o que acontece quando você tem o que todos procuram, mas, isso não faz mais sentido para você?

(Rafaela Bucci)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009


  1. "Nossos pais tem um certo poder sobre nós.O Poder de afetar nossos pensamentos.E emoções, do jeito que só eles conseguem.É um laço que muda com o passar do tempo,mas nunca some;Mesmo que estejam do outra lado do mundo.OU literalmente em outro Mundo.É um poder que não entendemos por completo.Mas que nos faz pensar:quando nosso hora chegar, que tipo de influencia teremos sobre nossos filhos ?"

video

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ciúme não é ex.

"Sobras de minha existência pela casa, escondidas para não irritar a nova mocinha. Meu pijama sufocado num canto da gaveta para que nenhuma lembrança respire. Meus chinelos abduzidos no meio da "sapataiada", tão pequenos que quase inexistem ou poderiam passar tranqüilamente por pares de criança.
Fotos, milhares delas, guardadas sem carinho, uma preguiça triste de arrumá-las em álbuns. Estão lá, paralisadas em momentos felizes, tradutoras de uma vida que quase foi, trancadas porque o que quase foi não pode atrapalhar o que ainda pode ser.
Talvez um fio de cabelo, o último deles, esteja nesse momento sendo varrido e levado pelo vento forte e solitário que não deixa dúvidas que o inverno chegou. Inverno que era sempre comemorado porque eu sabia que ele não sentiria tanto calor para dormir e eu poderia ser abraçada de conchinha o tanto que desejasse.
Agora é outra que suspira protegida olhando o quadro do Monet e ri apaixonada de algum provável barulho que ele faça com seu nariz estranho, jurando na manhã seguinte que não ronca. Saudade não é ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos mão por um sonho (ou por um erro) é passado. E de escolhas e de perdas é feita a nossa história. Não há nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotência: eu escolhi que aquele fosse o último abraço. Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto aquele abraço é o lado bom da vida.
Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre uma porta que você jura ser a certa mas quando resolve entrar descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher esperando no quarto.
Da vida que te confunde tanto que você quer se afastar de tudo para entendê-la de fora. Da vida que te humilha tanto que você quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te emociona tanto que você não quer pensar. Da vida que te dá um tapa na cara pra você acordar e não tem ninguém pra cuidar do machucado e dizer que vai ficar tudo bem. Da vida que te engana.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê- lo. Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que não gritavam quando eu acendia a luz do quarto, não faziam uso de um cigarro que me irritava profundamente e sobretudo minha rinite alérgica, não amavam os amigos acima de, não espirravam de uma maneira a deixar um fio de meleca pendurado no nariz, não usavam cueca rosa, não cantavam tão mal e tampouco cismavam de imitar o Led Zeppelin, não tinham a mania de aumentar o rádio quando eu estava falando, não tiravam sarro do bairro em que nasci, não insistiam em classificar minhas mãos e pés como seres de outro planeta, não ligavam se eu confundisse italiano com espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos artísticos, datas de revoluções e nomes de queijo, era ele que eu amava, era ele que eu queria.
E ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que conheciam a Europa e não entupiam o ralo com cabelos, mulheres que tinham nascido em bairros nobres e charmosos de São Paulo, ou melhor, do Rio de Janeiro, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, não entravam de sapato no carpete, não tinham uma blusa ridícula com uma rajada de dourado, não eram dentuças e tampouco testudas, não cantavam tão mal, não tinham medo de cachorros pequenos, não reclamavam do ar-condicionado e nem tinham medo de perder a mãe ou comer uma comida muito temperada, era eu que ele amava, era eu que ele queria.
Mas a realidade é que não gostamos desses tipos de filme fraco com final feliz, gostamos dos europeus "cult" onde na maioria das vezes as pessoas sofrem e perdem, assim como aconteceu com a gente. "

(Tati Bernardi)