
terça-feira, 22 de junho de 2010
Especial Dia dos Namorados (atrasado)

terça-feira, 8 de junho de 2010

“Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o lugar da minha canga. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar. Tá guardado. O da canga e de todo o resto.”
(Tati Bernardi)
domingo, 30 de maio de 2010

Tomei um banho bem demorado. Queria limpar tudo de sujo que estava em mim, se possível, até o que estava por dentro de mim. Sequei o cabelo, coloquei um pijama e deitei na cama. Olhei para o relógio, eram oito horas da noite, ainda me restavam três horas de sono até o Eric chegar da faculdade e me ligar ou aparecer em casa.
Tudo o que eu mais queria era descansar, não ver ninguém. Mas se depois de um mês sem vê-lo eu ainda negasse uma visita no dia da minha chegada, ele ficaria muito chateado e isso renderia assunto para o resto do dia, do mês ou do ano. E o que eu menos queria era uma discussão, ainda mais hoje.
Fechei os olhos, respirei bem fundo, lembrei de Medley e do elevador. Meu estômago embrulhou e eu bloqueei meus pensamentos. O sono chegou sem me dar tempo de pensar em mais nada, meus pensamentos agora vagavam em meio à escuridão, em meio à paz que eu tanto procurava e só encontrava aqui. Deixei-me levar e dormi profundamente.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Sufoco

Acordei naquela manhã com o sol batendo em meu rosto. Parecia que ele estava mesmo disposto a me perturbar. “Mais um dia”, pensei. Nada de novo estava por vir, nada de especial, nada de nada. Somente mais um dia.
Levantei com o mesmo intuito de todas as manhãs, ou seria “falta de intuito”? Arrumei-me e fui pra faculdade, o que não me gastaria mais do que dez minutos para chegar e, como sempre, passei na cafeteria para pegar meu chocolate quente. O céu estava ensolarado até demais, havia pessoas de regatas e shorts, o que era estranho para uma cidade como Medley que dificilmente fazia calor.
Mas nem mesmo essa manhã “linda”, como todos estavam falando na sala, me fez animar. As mesmas cadeiras, as mesmas pessoas, os mesmos assuntos. Será que elas não se cansavam nunca dessa monotonia? Porque eu estava cansada! Mas não conseguia me mover diante das situações. Tudo o que eu conseguia sentir e pensar se resumia em uma única palavra: sufoco!
(Rafaela Bucci)
terça-feira, 18 de maio de 2010

O tempo parou pra ela naquele momento. Quando abriu sua caixa de e-mail e leu o recado que por tanto tempo esperava e sonhava, seu mundo desmoronou. A notícia que lhe aparecera não era sem sequer parecida com a esperada.
Uma corrente fria transpassou suas costas e, inconscientemente, ela começou a chorar. Um choro de tristeza, amargura, dor e decepção. Nada mais lhe importava e, depois de tudo, ela estava se permitido afundar nesse obscuro.
Todo seu esforço e dedicação tinham sido em vão. Não havia mais recompensa nenhuma e, quanto ao seu sonho... Bom, seu sonho foi afogado junto a tantas lágrimas que escorriam. O mais doloroso é que ela sabia que agora esse sonho estava longe novamente.
Por hora, ela não conseguiria se levantar para correr atrás dele, isso estava totalmente fora do seu alcance. Por um tempo indeterminado ela não iria procurá-lo e, somente após cicatrizar sua ferida, é que ela pensaria em por onde começar a procurá-lo novamente. Enquanto isso, era só ela.
(Rafaela Bucci)
domingo, 16 de maio de 2010
Não consigo entender...

Eles estavam sentados na sala de estar, apenas folheando algumas revistas quando ela fechou bruscamente a sua e disse:
- Juro que não consigo entender!
- Não consegue entender o que? – ele disse.
- Não sei... Nos meus sonhos era tão diferente. A gente amava sem se cobrar, chorava sem doer, se beijava por tempo indeterminado, dormia e acordava feliz, ria de todas as indiferenças, brincava sem receio, brigava de mentira, não enjoava nunca, comia sem culpa, corria sem obrigação...
- Eu sei meu bem, eu sei. Mas, olha, não desanime. Os sonhos têm seu tempo certo de nascerem para a realidade. Os seus estão apenas em fase de gestação, isso não significa que eles não nascerão. Ao contrário do que você pensa, eles vão nascer. É só questão de tempo.
Ela levantou os olhos para os dele e os fitou por alguns segundos, em seguida lançou-lhe um belo sorriso. Um sorriso cheio de significados, mas, acima de tudo, o significado de algo maior. Abriu novamente sua revista e, encontrou-se aliviada e feliz. Ela havia reencontrado o que havia perdido: sua companheira esperança!
(Rafaela Bucci)
terça-feira, 11 de maio de 2010
Em busca de um sonho

E quanto mais ela queria entender os acontecimentos em sua vida, mais ela se encontrava perdida. De tempos em tempos parava para pensar em que rumo sua história estava sendo traçada. Quando isso acontecia, enxurradas de pensamentos tomavam conta de si, entrelaçados a dúvidas, remorsos, esperanças e sonhos. Principalmente sonhos.
Diferente da maioria, ela acreditava que sonhos podiam se tornar real. Mesmo aqueles mais profundos. Ela já havia se deparado com um, aquele considerado o “número um”, mas, acabou se assustando por ele estar tão perto que acabou afastando-o para bem longe. E foi nesse momento que ela sentiu a frustração e a decepção de não ter sido mais receptiva.
Porém, de nada adiantaria lágrimas e, como uma mãe em busca de seu filho, ela foi atrás desse sonho perdido. Andou por becos escuros, florestas cheias de monstros, nadou em lados profundos e, quando achou não ter mais esperanças, lá estava ele. Acuado ou talvez com medo, quem sabe?
Olhando-o agora de perto, ela sabia que não tinha o porquê temer ou se assustar. De alguma forma, eles achariam uma maneira de se entenderem ou de se completarem. Porque, de uma coisa ela tinha certeza, ele precisava dela tanto quanto ela dele.
terça-feira, 4 de maio de 2010

" Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (...) "
(Caio Fernando Abreu)
terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando ela se deitou, uma enxurrada de pensamentos vieram à sua mente, principalmente aquele que dizia respeito a ele.
Como era bom estar ali, se sentir protegida, amada, liberta e ao mesmo tempo presa. Mas não era qualquer prisão, aquela era uma muito aconchegante, deliciosa e maravilhosa! Ela estava presa a uma só pessoa e isso era mais do que uma realização. Ela não precisava de mais nada, porque isso já bastava.
O seu conto de fadas já estava escrito e, nada nem ninguém, poderia mudar uma vírgula daquela história.
domingo, 25 de abril de 2010

"E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana?
Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.
Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda."
quinta-feira, 22 de abril de 2010

Elas estavam sentadas em frente à televisão, comendo pipoca e vendo o tal filme que elas sempre viam juntas milhões de vezes. Conversavam mais do que assistiam, choravam de rir, riam de tanto chorar...
Quando o silêncio reinava, elas não hesitavam em aceitá-lo. Sabiam que não precisavam estar sempre juntas fisicamente, porque ambas já estavam juntas!
No momento em que encontrar a amizade verdadeira, haja o que houver, não existirá mais separação. É como um "Feliz para Sempre"! É assim e, sempre será.
(Rafaela Bucci)
--*--
Eu escrevi esse texto pensando em todos os amigos que tenho!
Alguns estão longe de mim hoje, não os vejo com tanta frequência mais, porém, eu sei que estamos juntos mesmo estando longe.
Outros estão muito perto e, a presença deles me anima e me ajuda muito a continuar a caminhar.
Estejam longe ou perto, quero todos sempre na minha vida!
terça-feira, 20 de abril de 2010
AOS 18

Cecília estava sentada em sua cama, relendo os diários que havia escrito durante toda a sua vida. Amores, tristezas, encontros, desilusões, amizades, recordações... Por cada ano que passava, encontrava diversos momentos existentes. Alguns dos quais nem mesmo se lembrava, mas era maravilhoso relembrar, até mesmo as dores pelas quais ela achava que tinham sido as maiores da sua vida.
Porém, algo pareceu iluminar diante de seus olhos. Uma capa no tom bege muito desgastado se destacou dentre as pequenas agendas que se encontravam jogadas em cima de sua cama. Seu coração disparou, sentia o pulsar dentro de suas veias e as lágrimas chegaram às portas de seus olhos. Ela rapidamente agarrou o diário e ficou olhando para ele pensativa e emocionada.
Vários flashes de diversos momentos pelo qual ela havia passado lhe vieram à mente. Mas não eram quaisquer momentos, eram os melhores momentos de toda a sua vida! Era o seu diário de quando ela teve 18 anos. Aquilo era melhor do que qualquer história de livro que ela poderia escrever ou ler, porque naquilo ali estava a sua vida. O começo da sua história como pessoa, como menina, como mulher.
Cuidadosamente ela abriu a capa e encontrou na primeira página uma foto sua com os amigos da faculdade. “Turma XV – Direito –
Ao seu lado estavam os seus melhores amigos, aqueles que estiveram com ela em todos os momentos especiais que se tem na vida, principalmente aos 18 anos. A primeira faculdade, o primeiro trote, a república como moradia, a carteira de motorista, a primeira DP, as festas durante a semana, a saudade de casa, o primeiro porre, a primeira viagem sozinha, a primeira entrevista, as dinâmicas dos processos seletivos, a pipoca queimada, as tardes de vídeo game regadas à cerveja, o jogo do Brasil na Copa, o primeiro estágio, o TCC, a efetivação, a formatura...
Somente por aquela foto ela sabia exatamente o que havia dentro daquele diário. Todos os momentos estavam aflorados à sua pele e à sua memória. Não poderia haver melhor sensação. Lá estavam todas as suas descobertas, todos os seus medos, todas as suas derrotas, todas as suas superações, todos os seus amores. E foi então que ela o achou! O sorriso mais encantador e charmoso que poderia haver, os olhos brilhantes como esmeralda destacados pelo sol que batia em seu rosto, o cabelo loiro jogado de lado sem uma ordenação que seja. Seu coração parou. Foi como voltar àquele momento, o do primeiro amor.
Como um filme em “replay” ela enxergou cada momento vivido ao lado desse amor, desde o primeiro olhar até a despedida. A primeira conversa, os olhares, os toques, os beijos, a química perfeita que havia entre ambos. Como era maravilhoso! A fuga nos finais de semana para a praia, os estudos de química no sábado à noite... Ele havia sido o primeiro homem em sua vida, aquele que tinha ensinado ela dirigir antes mesmo de ter carta, que a usava como garota propaganda de todas as suas histórias, aquele que tinha chegado pra ficar, ou supostamente, deveria ter chegado para ficar. Mas não ficou.
Foi aos 18 anos que Cecília encontrou o significado mais do que real da amizade, que ela encontrou e se encantou com o primeiro amor, que ela errou e aprendeu, se decepcionou e superou, entendeu o significado dos seus pais em sua vida, o valor de uma moeda, a dor de uma despedida, a alegria de um encontro... Porém, acima de tudo, foi aos 18 que ela viveu intensamente. Esse diário não poderia levá-la fisicamente de volta no tempo, mas, poderia entregá-la magicamente toda uma vida que ela não escreveria diferente se tivesse oportunidade.
(Rafaela Bucci)
Texto escrito para o tema da 27ª Edição do Blogueando.