quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança.
Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido novo, tirou as pedras da minha mão.
Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final."
(Tati Bernardi)


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O contrário do Amor...


"O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto."
(Tati Bernardi)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pq falar da gente, ou de nossos sentimentos são tão difíceis né?
Às vezes a gente se vê tão cansada e saturada de tudo que, o que mais queremos é arrancar essa angústia do peito. Porém, n há nada melhor do que um grande escritor para falar por nós.

Enjoy it
Beeeijo



"Fico tão cansada às vezes, e digo para mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. (...)então eu não sentia nada, podia fazer as coisas mais audaciosas sem sentir nada, bastava estar atenta como estes gerânios, você acha que um gerânio sente alguma coisa? quero dizer, um gerânio está sempre tão ocupado em ser um gerânio e deve ter tanta certeza de ser um gerânio que não lhe sobra tempo para nenhuma outra dúvida..."

(Caio Fernando Abreu)



sábado, 7 de novembro de 2009

CICATRIZES

"Hoje abri meu baú de recordações... vasculhei sonhos, remexi ilusões,toquei feridas... toquei desilusões... Coisas que marcaram, músicas que ficaram, poemas de Drummond...perfumes que ainda exalam e espalham pelo ar, nos aromas de cada história vivida e de cada sensação sentida, o néctar do meu passado! E bem lá no fundo, escondido em meio às paixões esquecidas, encontrei um amor que tanto machucou, mas que o tempo cicatrizou... Num misto de saudade e tristeza, revivi os tantos momentos...de alegria e tormento... Momentos felizes, momentos de festa e euforia..mas que foram momentos roubados, pela vida negados... Um amor extirpado, dois seres divididos, cada qual em seu caminho, seguindo novos destinos, novos sonhos, novas paixões,novos desatinos, novos recomeços... Vida... sábia conselheira, experiente timoneira, nos conduziu a outras direções. Tempo... bálsamo de todas as dores,fecha todas as feridas, deixando em seu lugar apenas cicatrizes... Mas hoje, ao te encontrar neste baú de recordações, não sei se de surpresa... Pois te julgava esquecido, não sei se de emoção... que já não julgava sentir, um soluço sufocou meu peito e eu chorei... chorei...chorei... chorei . E assim, após tanta lágrima derramada, senti minha alma lavada e foi aí que descobri... Que as cicatrizes, na verdade, são apenas feridas disfarçadas......."

A DESPEDIDA DO AMOR

"Existe duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão envolvidos que não conseguimos ver luz no fim do túnel. A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel. Você deve achar que eu bebi. Se a luz está sendo vista, adeus dor, não seria assim? Mais ou menos. Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também. Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar. É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo. Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente. "

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro que, se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive, mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram, mas que se soubesse, decerto gostaria de experimentar. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês,
Eu acredito que um simples "I miss you", ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital, quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos, ao longo da nossa existência... "

" A saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência."

domingo, 18 de outubro de 2009


"Eu vejo um horizonte trêmulo Tenho os olhos úmidos"
"Eu posso estar completamente enganado Posso estar correndo pro lado errado"
Mas "A dúvida é o preço da pureza"
É inútil ter certeza
Eu vejo as placas dizendo "Não corra" "Não morra", "Não fume"
"Eu vejo as placas cortando o horizonte
Elas parecem facas de dois gumes"

Minha vida é tao confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute garota, façamos um trato:
"Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato"
Eu posso ser um Bealte Um beatnik, ou um bitolado
Mas eu não sou ator
Eu não tô à toa do teu lado
Por isso garota façamos um pacto: "Não usar a highway pra causar impacto"

Cento e dez
Cento e vinte
Cento e sessenta
Só pra ver até quando O motor aguenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra de um sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway"

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem...."


"Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo, dizer 'me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa?' Bueno, os dados estão lançados, e agora só me resta lavar as mãos sujas do sangue das canções."


"Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação"

(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009


"Eu estava frio, não sentia coisa alguma, não tinha mais aquele horror de estar dentro da árvore nem aquele encantamento de estar fora dela."

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SAUDADE

"Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói .
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do avô que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ela para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa camisa xadrez. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo Fanta, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua detestando o MC Donald's, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler..."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

NAO QUERO SER EM SUA VIDA:

"A primeira...pois é no primeiro que se consegue verificar todos os nossos erros, vendo o quanto é preciso aprender..
A ultima, pois é quem leva a responsabilidade de realizar tudo que os outros não foram capazes, ou competentes o suficiente pra sustentar um relacionamento..
A mais importante, pois geralmente as coisas mais importantes são aquelas que menos lembramos, apenas sabemos que são importantes por alguma coisa que fizemos..
A única..pois jamais seria capaz de lhe entender, em todos os sentidos, antes que enjoasse de mim, não satisfazendo seus desejos, por não ter tempo de conhecê-los...
Em sua vida, gostaria apenas de ser aquela pessoa que não fosse muito importante, não estivesse na lista dos primeiros, nem tão pouco nas dos ultimos que não fizesse você se arrepender de não ter tido outras experiências, mesmo que me tendo como alguém especial...
......entretanto, feitos da sua opressão, e sim, uma pessoa que na sua vida entrou, fez morada, e permanece para sempre em seus pensamentos. A qual faria você sentir frio mesmo sob um calor de 40 graus..
Que a noite, quando olhar para o céu veja em cada estrela que compõe as constelações, mesmo distante, o quanto estava proximo um do outro...
Que ao ler o livro da sua vida, possa encontrar-me como autor da sua felicidade, mesmo que temporária... Aquele que com um jeito irreverente buscava arrancar de forma suave e quase despercebidamente, a sinceridade que brilhava no interior de seus olhos...
Alguém do qual jamais esquecerá, não como amiga, namorada, mas a pessoa que fez com que você por algum tempo, ou quem sabe, sempre, sentisse a verdadeira importancia de um sentimento puro..simples..sincero e profundo...
Infelizmente, acredito que não consegui atingir todos meus ideais...
No entanto, espero que você tenha esse nome em um local separado dos outros... "